Paola Antonelli: Treating Design as Art

Enquanto aproveitava este feriadão para descansar, ler, escrever e desenhar, encontrei uma palestra da Paola Antonelli no TED. Na verdade havia duas palestras, mas a que me pareceu mais interessante foi a chamada “Treating Design as Art”. Nela, a curadora de design do MoMA falou duas coisas que eu achei extremamente interessantes.

Primeiro, ela disse que designers são sintetizadores, essencialmente: Que nós pegamos necessidades humanas, recursos ecônomicos e as preocupações correntes em nossa época e sintetizamos em produtos. Isso me chamou a atenção por nunca ter pensado em design exatamente dessa forma. Digo, até certo ponto o raciocínio não deixa de ser um pouco óbvio, mas o que me chama a atenção é usar essa visão como definidora da atividade. Parece um pouco como pegar a clássica “design é solução de problemas” e ver do outro lado;  focar-se mais no problema do que nas soluções, quem sabe.

 

Mais especificamente na questão design x arte, Paola falou outra coisa curiosa: Qqe essa discussão não era necessária, e que o design utiliza qualquer meio à disposição para falar algo – “to make a point”, no original. Ela assume o design, então, como algo que quer dizer alguma coisa – não mais como um solucionador de problemas, mas como, essencialmente, algo que está no mundo para dizer algo. É claro, nada que existe no mundo é simplesmente aquilo – nós, em uma eterna neurose pode-se dizer, insistimos em implicar significados, determinados pela época, cultura e milhares de outras variáveis, em tudo o que vemos. No entanto, o design há algum tempo já – e Paola Antonelli ter dito nada mais é que um reflexo dessa realidade – saiu do armário, por assim dizer, e assumiu sua função de gerador de significados. De que os objetos criados por ele não só cumprem uma função, solucionam um problema, mas também falam algo sobre a cultura em que estão inseridos. 

Suited for Subversion, de Ralph Borland

E o que me aparece como ainda mais interessante nesse raciocínio todo é que alguns produtos começam a ser realmente mais sobre falar algo do que para cumprir um uso. Antonelli mostra alguns exemplos disso: o hilariamente poético “Suited for Subversion”, de Ralph Borland, que basicamente é uma roupa para uso em protestos de larga escala que não só protege o corpo como reproduz em um volume considerável as batidas do coração de quem o usa, em algo que a própria Paola compara simbolicamente ao ato de colocar flores em fuzis; outro exemplo, mais sério mas ainda assim conceitualmente lindo é uma linha de brinquedos para crianças com problemas psicólogicos, dentre os quais há um animal de pelúcia que abraça e retribui o abraço, algo importante no tratamento do autismo. Especialmente no “Suited for Subversion”, a aplicabilidade do objeto na vida real me parece um tanto quanto difícil e que, na verdade, o mais importante nele não seja o seu uso, mas aquilo em que ele implica apenas pelo fato de existir. O que achei mais brilhante nisso tudo foi a justificativa para considerar design essas peças: mesmo sendo coisas que não são imediatamente úteis, a função delas na verdade reside em ajudar no entendimento de um problema. Esticando um pouco a lógica, podemos até manter o conceito de design como solução de problemas quando consideramos como problema justamente a ignorância em relação a algo.

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