Classificação Tipográfica: Góticos ou Fraktur

 

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Buenas, para o segundo e atrasadíssimo post sobre classificação de tipos, vamos falar sobre os fraktur, blackletter ou góticos. Na verdade, o nome Fraktur se refere a um subtipo de caracteres góticos do qual acabou sendo derivada uma família de fontes com esse mesmo nome.

Origens

Não é o início mais criativo de um post sobre classificação tipográfica, mas, enfim. Os tipos góticos foram provavelmente os primeiros caracteres impressos na história ocidental – a origem mais remota deles está na escrita carolíngia, criada na época de Carlos Magno. Esse tipo de letra tinha uma leitura boa, mas era demorado de ser desenhado pelos monges e ocupava muito espaço – os caracteres então começaram a ser apertadas cada vez mais entre si, especialmente na França e nos Países Baixos. Quando Gutenberg imprimiu seu primeiro livro (a Bíblia, lembram?), usou um tipo gótico também conhecido como textualis. 

Essa forma de tipos logo foi derrubada na maior parte da Europa pelos tipos humanistas, miuto mais fáceis de ler e mais de acordo com a própria época; no entanto, é curioso que na Alemanha esse tipo foi usado intensamente até o início do século XX. Durante o Terceiro Reich, com o super-ultra-nacionalismo do Hitler e a caça a tudo que não fosse eminentemente “ariano”, os tipos góticos tiveram um pequeno ressurgimento também (sobre o assunto, dá uma olhada no Design Observer).

espécime de minúsculas carolíngias

espécime de minúsculas carolíngias

 

Subtipos

É bastante difícil achar recursos decentes sobre algumas categorias de tipos – entre elas, o nosso assunto de agora, tipos góticos. Na Wikipédia em inglês tem uma subcategorização; nada contra a Wiki, mas não me sinto muito confortável em postar aqui informação de uma só fonte. Ao mesmo tempo, achei interessante, porque nem na pesquisa inicial tinha visto esse nível de detalhe. 

 

alguns espécimes de tipos blackletter comparados a caracteres atuais

alguns espécimes de tipos blackletter comparados a caracteres atuais

 

 

Enfim, sem mais delongas, o primeiro dos subtipos é o textualis, que já citamos como sendo o usado por Gutenberg na primeira Bíblia (mais especificamente, a fonte usada nesse trabalho foi chamada de Donatus-Kalendar ou D-K). Suas características são essencialmente de letras cáligráficas, fato que eventualmente levou ao abandono desse tipo de fonte gótica para a impressão. A textualis era usada principalmente na França. 

Schwabacher foi o primeiro tipo gótico usado na Alemanha, mas, pouco tempo depois, foi quase que inteiramente substituído pelos tipos Fraktur, que foram populares a ponto de qualquer tipo gótico poder ser chamado de Fraktur atualmente.

Havia ainda a escrita cursiva em blackletter e as variações regionais, com destaque para a Rotunda italiana.

 

 

Características

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Como um dos nomes atribuídos aos tipos góticos sugere, uma das características principais dessas fontes é a impressão de fragmentação, de que as letras estão como que “fraturadas”, quando você compara a espécimes carolíngios ou humanistas. Outro dos nomes dados mostra outra característica: blackletter, ou letra preta em uma tradução literal – os blocos de texto sempre ficavam maciços, formando uma mancha bastante escura e densa na página. Uma coisa interessante, e que depois se torna importante para diferenciar tipos humanistas de tipos garaldes, é reparar no e minúsculo: a barra horizontal da letra (como está ali no espécime de baixo) é inclinada, o que na esmagadora maioria das vezes funciona como indicador de uma forte influência manuscrita na fonte (com uma pena, é mais fácil fazer essa barra fina  inclinada do que perfeitamente reta).

 

o e da fette fraktur, com o eixo da pena bem marcado

o e da fette fraktur, com o eixo da pena bem marcado

 

 

Obviamente perdi a referência, mas em um teste feito em língua inglesa sobre a legibilidade desses tipos atualmente dizem que a velocidade de leitura diminuía “apenas” 15%. Isso corroboraria a idéia de que os tipos blackletter eram tão fáceis de ser lidos por alemães de 1500 quanto uma fonte sem serifa é lida por nós atualmente. Eu, particularmente, fico um pouco agonizante ao tentar ler mais do que três palavras nesse tipo de fonte, mas, enfim, concordo que ela fica bastante bonita em certos momentos. Existe inclusive o livro (extremamente bem feito e bonito) Fraktur, Mon Amour.

 

 

Sobre os tipos fraktur infelizmente essa foi toda a informação que consegui encontrar. Há ainda alguns detalhes que eu achei que não valiam à pena colocar, especialmente pelo fato de não conseguir nem boas fontes nem encontrar espécimes que pudessem exemplificar essa categoria. Se mais pra frente eu conseguir material bom sobre o assunto, coloco aqui.

um comentário

Arnaldo Reinhold

26.04.2009 – 00:04

Muito interessante a descrição sobre o assunto ti.pográfico

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