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	<title>Ornitorrincos D. – Blog &#187; Design Contemporâneo</title>
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		<title>Mais Idéia, Menos Coisa</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Mar 2009 01:13:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>macki</dc:creator>
				<category><![CDATA[Design Contemporâneo]]></category>
		<category><![CDATA[consumismo]]></category>
		<category><![CDATA[crise ecônomica]]></category>
		<category><![CDATA[produtos]]></category>
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Lendo uma das feeds que assino (e que não faço idéia de qual era, ainda que o Swissmiss um tempo atrás tenha postado alguma coisa sobre o mesmo assunto), cheguei num artigo do Guardian que falava sobre a crise ecônomica mundial e sobre algumas das percepções do autor dos efeitos que isso pode ter no [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-medium wp-image-83" title="coisa" src="http://blog.ornitorrincos.com/wp-content/uploads/2009/03/coisa-365x369.jpg" alt="coisa" width="365" height="369" /></p>
<p>Lendo uma das feeds que assino (e que não faço idéia de qual era, ainda que o <a href="http://www.swiss-miss.com/">Swissmiss</a> um tempo atrás tenha postado <a href="http://www.swiss-miss.com/2008/10/todays-creative-3.html">alguma coisa sobre o mesmo assunto</a>), cheguei num <a href="http://www.guardian.co.uk/letsgetcreative/more-ideas">artigo do Guardian</a> que falava sobre a crise ecônomica mundial e sobre algumas das percepções do autor dos efeitos que isso pode ter no design.  Mais especificamente, ele traz o conceito de unproduct à&nbsp;tona.</p>
<p><span id="more-82"></span></p>
<h3>Unproduct</h3>
<p>Como título do post coloca, a palavra quer dizer máximo de idéia, mínimo de coisa. Estamos acostumados a consumir desenfreadamente, e os produtos criados nos últimos anos refletem isso de certa forma:  tanto roupas quanto móveis quanto computadores são projetados com um prazo de validade específico e relativamente curto – por variados motivos, desde uma necessidade de consumir para movimentar dinheiro no  mercado até uma tentativa de barateio dos produtos de uma forma geral. O argumento do autor do artigo, <a href="http://noisydecentgraphics.typepad.com/design/">Ben Terret</a>, é de que, com o futuro economicamente incerto somado ao prognóstico sombrio da mudança climática, algum tipo de ação deve ser tomada, e em parte ela deve começar com os próprios designers. Indo contra a regra de rápida obsolescência, unproduct significaria criar artefatos que pudessem ser utilizados durante vários anos – o exemplo mais citado é a linha <a href="http://hmd.howies.co.uk/">Hand Me Down</a> da marca de roupas <a href="http://www.howies.co.uk/">Howies</a>, que oferece jaquetas, mochilas e bolsas com a garantia de que vão durar pelo menos 10&nbsp;anos. </p>
<p>Confesso que acho um pouco estranho – improvável, na verdade – uma mudança tão drástica de paradigma na nossa sociedade. Digo, eu acredito que algumas pessoas possam fazer e e que inclusive algumas já estejam fazendo, há muito tempo e sem nenhum conhecimento sobre unproduct, <a href="http://www.viridiandesign.org/">Viridian Design Movement</a> ou coisa que o valha. Mas uma maioria adotar esse comportamento? Parece muito estranho, pelo menos para mim. Por outro lado, uma das citações no artigo vêm de Martin Sorrell, que é o cabeça da <a href="http://www.wpp.com/">WPP</a> (o maior conglomerado de marketing e propaganda no mundo – aqui em Porto Alegre há quatro representantes, a <a href="http://www.dcsnet.com.br/">DCS</a> e a <a href="#"></a> entre eles, para ter uma noção do tamanhinho da companhia). Sorrell, lembrem, chefe de um mega-conglomerado de propaganda, diz que a visão da WPP, ao contrário do que se esperaria, é de que consumo desenfreado não é produtivo e deveria ser&nbsp;desencorajado.</p>
<h3>Na Vida&nbsp;Real</h3>
<p><a href="http://russelldavies.typepad.com/">Russel Davies</a>,  um dos nomes ligados a idealização do unproduct, descreve o nascimento de parte da idéia em seu blog e também aborda a exeqüibilidade disso na vida real. Por exemplo, o valor que nós agregamos, em termos de significado, aos objetos de consumo e o quanto eles são definidores do que nós somos, o que pensamos e a que &#8220;tribo&#8221; pertencemos. Davies parte do pressuposto de que vamos continuar consumindo coisas, e dando a esse consumo um caráter de urgência. Num pequeno parêntese, <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Guy_Debord">Guy Debord</a>, no “Sociedade do Espetáculo”, mais de 30 anos atrás, falava disso também, ao escrever que o capitalismo chegou num ponto de abundância de recursos suficiente para sanar as necessidades vitais, mas, para manter a “máquina” em funcionamento, cria novas necessidades e dá a elas a urgência dessas necessidades vitais – <em>precisamos</em> de um celular novo e <em>é impossível</em> viver sem um notebook. Claro, o Debord tem suas falhas, mas, pô, em muitos momentos da leitura eu sinto como se o livro tivesse sido escrito há não tanto tempo atrás. Voltando a Davies, então, ele <a href="http://russelldavies.typepad.com/planning/2007/03/bright_green.html">pergunta</a>: é possível produzir novidades sem criar mais coisas? É possível saciar a sede de consumo e status que permeia o sistema produzindo menos, mas agregando mais&nbsp;significado? </p>
<p>Num daqueles momentos de felizes acasos – serendipity, falam, em inglês – a <a href="http://asclaraboias.blogspot.com">Luci</a> compartilhou no <a href="http://reader.google.com">Google Reader</a> um <a href="http://www.conexaoparis.com.br/2009/02/25/os-franceses-mudam-seus-habitos/">post de um blog sobre a França</a> em que a autora fala sobre a mudança de hábitos de consumo que ela está sentindo em Paris. Pode ser uma total coincidência, mas, estamos adentrando uma crise que promete ser violenta, e, enquanto em alguns sites sobre design (fora metade dos links deste post, <a href="http://www.designobserver.com/archives/entry.html?id=38880">aqui </a>e <a href="http://www.designobserver.com/archives/entry.html?id=38886">aqui</a> são bons exemplos) vemos discussões abstratas sobre a importância do designer nessa nova realidade, um blog sobre variedades e cultura de um país, de uma observadora que acredito ser leiga no tema, portanto neutra e válida como uma pequena amostragem, narra o início de uma mudança no paradigma de&nbsp;consumo.</p>
<p>Em termos mais práticos, então, como se poderia desenvolver o unproduct? Davies <a href="http://russelldavies.typepad.com/planning/2007/01/more_idea_less_.html">levanta um ponto interessante</a> nisso: em grande parte o trabalho de design e, especialmente, de publicidade hoje é relacionado a agregação de novos significados, imagens e associações a produtos – de repente, seria possível usar os mesmos mecanismos para agregar ainda mais significado às coisas, dando a elas um valor maior e estimulando a sua manutenção. Em termos mais simples, seria uma questão de parar de usar idéias para vender mais coisas e começar a usar idéias como substitutas para as coisas – especialmente quando elas não são de forma alguma&nbsp;essenciais. </p>
<h3><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Caveat_lector">Caveat&nbsp;Lector</a></h3>
<p>Termino este post com um pouco da minha visão pessoal do assunto, algo de que tentei me abster durante o resto do texto para focar num resumo, por mínimo que seja. Sou totalmente a favor das idéias que o unproduct envolve, mas, mesmo tendo ouvido o cara da WPP, lido sobre alguns exemplos e inclusive visto que um movimento de 1998 chamado Viridian Design Movement defende idéias similares, mas de uma perspectiva bem diferente, ainda tenho dúvidas sobre como isso pode ser inserido na vida real. Como eu disse, consigo ver algumas pessoas se esforçando para consumir menos e consumir  mais conscientemente, e consigo ver alguns designers tentando fazer produtos que, seja por serem reaproveitados (como o <a href="http://www.re-shirt.net/">re-shirt</a>), por serem duradouros (como a handmedown jacket) ou por utilizarem menos embalagens consigam vender mais idéias e menos coisas, tenho minhas dúvidas sobre a adoção desses princípios por uma parcela grande da sociedade. Quem sabe, sejamos obrigados a isso, daqui alguns anos. Quem sabe, numa perspectiva ainda mais utópica, que realmente, o frenesi consumista pare repentinamente – algo que parece muito, muito improvável, salvo alguma grande catástrofe global relacionada ao aquecimento&nbsp;global.</p>
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		<title>Paola Antonelli: Treating Design as Art</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Feb 2009 00:25:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>macki</dc:creator>
				<category><![CDATA[Design Contemporâneo]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[Design]]></category>
		<category><![CDATA[design como arte]]></category>

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		<description><![CDATA[Enquanto aproveitava este feriadão para descansar, ler, escrever e desenhar, encontrei uma palestra da Paola Antonelli no TED. Na verdade havia duas palestras, mas a que me pareceu mais interessante foi a chamada &#8220;Treating Design as Art&#8221;. Nela, a curadora de design do MoMA falou duas coisas que eu achei extremamente&#160;interessantes.
Primeiro, ela disse que designers [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Enquanto aproveitava este feriadão para descansar, ler, escrever e desenhar, encontrei uma palestra da <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Paola_Lenti">Paola Antonelli</a> no <a href="http://www.ted.com/index.php/">TED</a>. Na verdade havia duas palestras, mas a que me pareceu mais interessante foi a chamada &#8220;<a href="http://www.ted.com/talks/view/id/207"><em>Treating Design as Art</em></a>&#8221;. Nela, a curadora de design do <a href="http://www.moma.org/">MoMA</a> falou duas coisas que eu achei extremamente&nbsp;interessantes.</p>
<p>Primeiro, ela disse que designers são sintetizadores, essencialmente: Que nós pegamos necessidades humanas, recursos ecônomicos e as preocupações correntes em nossa época e sintetizamos em produtos. Isso me chamou a atenção por nunca ter pensado em design exatamente dessa forma. Digo, até certo ponto o raciocínio não deixa de ser um pouco óbvio, mas o que me chama a atenção é usar essa visão como definidora da atividade. Parece um pouco como pegar a clássica “<em>design é solução de problemas</em>” e ver do outro lado;  focar-se mais no problema do que nas soluções, quem&nbsp;sabe.</p>
<p> </p>
<p><span id="more-26"></span></p>
<p>Mais especificamente na questão design x arte, Paola falou outra coisa curiosa: Qqe essa discussão não era necessária, e que o design utiliza qualquer meio à disposição para falar algo – “<em>to make a point</em>”, no original. Ela assume o design, então, como algo que quer dizer alguma coisa – não mais como um solucionador de problemas, mas como, essencialmente, algo que está no mundo para dizer algo. É claro, nada que existe no mundo é simplesmente aquilo – nós, em uma eterna neurose pode-se dizer, insistimos em implicar significados, determinados pela época, cultura e milhares de outras variáveis, em tudo o que vemos. No entanto, o design há algum tempo já – e Paola Antonelli ter dito nada mais é que um reflexo dessa realidade – saiu do armário, por assim dizer, e assumiu sua função de gerador de significados. De que os objetos criados por ele não só cumprem uma função, solucionam um problema, mas também falam algo sobre a cultura em que estão&nbsp;inseridos. </p>
<p><a href="http://blog.ornitorrincos.com/wp-content/uploads/2009/02/s4s_upperleft2.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-29" title="Suited for Subversion, de Ralph Borland" src="http://blog.ornitorrincos.com/wp-content/uploads/2009/02/s4s_upperleft2.jpg" alt="Suited for Subversion, de Ralph Borland" width="290" height="290" /></a></p>
<p>E o que me aparece como ainda mais interessante nesse raciocínio todo é que alguns produtos começam a ser realmente mais sobre falar algo do que para cumprir um uso. Antonelli mostra alguns exemplos disso: o hilariamente poético “<em>Suited for Subversion</em>”, de <a href="http://ralphborland.net/s4s/">Ralph Borland</a>, que basicamente é uma roupa para uso em protestos de larga escala que não só protege o corpo como reproduz em um volume considerável as batidas do coração de quem o usa, em algo que a própria Paola compara simbolicamente ao ato de colocar flores em fuzis; outro exemplo, mais sério mas ainda assim conceitualmente lindo é uma linha de brinquedos para crianças com problemas psicólogicos, dentre os quais há um animal de pelúcia que abraça e retribui o abraço, algo importante no tratamento do autismo. Especialmente no “<em>Suited for Subversion</em>”, a aplicabilidade do objeto na vida real me parece um tanto quanto difícil e que, na verdade, o mais importante nele não seja o seu uso, mas aquilo em que ele implica apenas pelo fato de existir. O que achei mais brilhante nisso tudo foi a justificativa para considerar design essas peças: mesmo sendo coisas que não são imediatamente úteis, a função delas na verdade reside em ajudar no entendimento de um problema. Esticando um pouco a lógica, podemos até manter o conceito de design como solução de problemas quando consideramos como problema justamente a ignorância em relação a&nbsp;algo.</p>
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